Luís Palma



Territorialidade

Segundo o Dicionário da Língua Portuguesa territorialidade significa “qualidade do que é territorial, estatuto a que estão subordinadas as disposições relativas ao território de um cidadão ou de uma nação”¹.

Considerando que neste projecto, de um modo geral, não existem fronteiras em relação ao território circunscrito, constata-se que as vias de cada área de jurisdição estão identificadas por um determinado código de acordo com um estatuto próprio.

Por vezes, o ritmo que uma viagem impõe não é compatível com o equipamento de grande formato. A vontade indómita de criar uma fotografia é um desejo quase sempre vencido pelo manifesto incómodo do próprio suporte. O exercício visual é rigoroso e pausado. É uma escolha que encontra na contemplação uma forma de sedução que confere outro sentido à viajem; em que os imprevistos acontecem e as cidades se cruzam num itinerário pontualmente reajustado a um novo contexto.

“Territorialidade” é uma série que não pretende decalcar a realidade num inconsciente fechado sobre si próprio; pelo contrário, é um consciente aberto a novas “linhas de articulação”. O ponto de partida é sempre o mesmo: uma região periférica que recentemente convive com este regime de proximidade; numa afirmação política e fundamental para a sua identidade contemporânea mas, ainda assim, forçado à sua própria condição geográfica.

¹ Porto Editora on-line, 2003 – 2007.

Luís Palma
In do livro Territorialidade; 2007.

© LUÍS PALMA